Há algum tempo, a revista Media XXI fez-nos uma entrevista sobre a editora.
Recuperamos aqui algumas partes. Para além de toda a informação que já é possÃvel encontrar no site, pode ajudar a compreender melhor o projecto. Foi feita antes do lançamento dos primeiros livros.
Quais as razões para a criação de uma editora online?
A Sinapses nasceu por dois motivos. Por um lado, sentimos que o campo dos ebooks está ainda muito por explorar. Por outro, porque, apesar de existirem muitas editoras em Portugal, não deixa de haver escritores talentosos, sobretudo jovens, que não conseguem publicar ou a quem, na
melhor das hipóteses, as editoras oferecem a possibilidade das edições de autor, custeadas pelo próprio.
Quais os critérios utilizados para a escolha dos autores e obras a serem editados pela Sinapses?
Não excluÃmos nenhum género nem nenhum tipo de autor. A partir daÃ, tratam-se de critérios subjectivos de aferição da qualidade do original.
Que reacções esperam ter com as primeiras edições?
É difÃcil adivinhar. Embora a Sinapses tenha algumas caracterÃsticas originais (especialmente, a angariação de publicidade e patrocÃnios para a impressão das obras), não é a primeira editora de ebooks em Portugal. Não possuo números, mas diria que as que existem têm conseguido chegar a um público reduzido. O que, se configura um cenário pouco favorável a este tipo de iniciativas, também dá sinal de que existe espaço para inovar e levar a cabo projectos bem pensados.
Que papel consideram estar reservado ao tradicional livro em formato papel, e os emergentes formatos -book e audiobook?
O livro em formato papel será, muito provavelmente, dos últimos formatos impressos a desaparecer. Isto, se este cenário se vier a concretizar.
Neste momento, o livro reúne as vantagens da portabilidade e facilidade de leitura que não se encontram em nenhum dispositivo electrónico. E, contrariamente ao que acontece com os jornais ou revistas, tem um valor enquanto objecto. O livro não é só um bom suporte para o conteúdo - o objecto tem valor por si. E isso é praticamente incontornável.
Quanto aos audiobooks, é preciso salientar que têm um papel fundamental para pessoas invisuais ou com baixa visão. Chegámos a pensar fazer alguns audiobooks e até tivemos propostas de empresas fazerem a conversão de ebook para audiobook. A ideia não está posta de parte, mas foi adiada. Precisamos de estruturar primeiro a base e, quando estivermos em velocidade de cruzeiro, podemos pensar neste tipo de iniciativas.
Por fim, os ebooks não devem ser encarados como um substituto do livro tradicional. Têm outros papéis, entre os quais o de difusor cultural de baixo custo. Dados os relativamente baixos custos de produção e distribuição, os ebooks pode permitir dar a conhecer novos autores, bem como fazer chegar todo o tipo de obras a um público que não pode - por constrangimentos financeiros - aceder a este tipo de conteúdos em papel.
Não podemos, contudo, ser excessivamente optimistas. É claro que tudo isto, embora já não estando numa fase propriamente embrionária, tem ainda um grande processo de maturação pela frente.
Note-se ainda que há contextos em que os ebooks são particularmente úteis. É o caso dos manuais escolares por exemplo. Tem havido editoras em Portugal a publicar manuais em formato electrónico. Os alunos deixam de ter que carregar quilos de livros e os benefÃcios são óbvios.
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Acerca dos jornais grtuitos, permito-me discordar c/ o seu comentário: “a qualidade deixa a desejar, não há nada de opinião”!…
Num paÃs onde as opiniões mais publicadas são de polÃticos desse mesmo paÃs atrofiado por eles. Onde para publicar é necessária a “cunha” ou ser interveniente num escândalo, enfim!…
Comentário por AnÃbal Alves
1 Junho 2007 @ 6:37 pm